Paisagens de uma Banda em Turnê

“Como grande parte dos modernos do Ocidente, eu fui criada para acreditar que distância dá perspectiva, que a diferença leva ao insight e que viajar “amplia”, figurativamente. Porém, minha experiência me mostrou que viajar pode ser confuso, a distância ilusória e que a diferença depende muito do ponto de vista de quem vê” Caren Kaplan

 por Irina Bertolucci Chermont*

As diversas formas de viagem

Como um contato com o mundo atual, a turnê independente é mais uma das formas de se deslocar que existem hoje. Para melhor compreender a turnê como viagem, parto dos outros modos de sair de casa e conhecer o mundo que existiram e existem hoje. Na atualidade, o turismo com certeza é predominante, mas o turista não está sozinho. Ao considerar diversos tipos de viajantes de hoje, e tentar se aproximar de seus interesses e aspirações creio que podemos entender um pouco mais sobre a relação do homem contemporâneo com o espaço e as cidades que ele percorre.

Seja por pressões da natureza ou problemas sociais, como guerras e diásporas, como diz Caren Kaplan em seu livro Questions of Travel – Postmodern Discourses of Displacement, o homem sempre foi impelido a sair de sua zona de conforto e enfrentar o vasto mundo para seguir vivendo. Até hoje podemos ver exemplos de exilados, vítimas de desastres naturais e guerras civis se movimentar pelo mundo em busca de segurança, às vezes custando abandonar suas raízes e começar de novo em um lugar estranho.

No passado, todos fomos nômades, mas ainda hoje essa nacionalidade sem nação leva Romanis à Itália ou à França sob olhares desconfiados de quem não entende o não-pertencer. Se as cidades só existem como conseqüência do sedentarismo, “conquistado” pelos nossos antepassados, os nômades de hoje sempre estarão do lado de fora dessa ordem. Todo o esforço de organizar o território com ferrovias e estradas e as cidades com saneamento e outras redes controla os fluxos para controlar o espaço. O nômade usa a cidade, mas não faz parte dela. “As metrópoles contemporâneas têm assistido ao desaparecimento da figura do nômade e ao crescimento do número de exilados”[1], uma mudança que mostra que o nômade errante se viu pressionado a entrar na sociedade, ou foi a sua errância limitada pelos caminhos já traçados pelo desenvolvimento. Os exilados, sedentários de outras terras, são muitas vezes forçados ao nomadismo, por já não pertencerem a lugar nenhum, e conseqüentemente ao desterro e à ilegalidade.

Um outro tipo de viajante ganhou força com o desenvolvimento das navegações: aquele que busca, no mundo conhecido ou desconhecido, novas terras ou riquezas, domínios. Esse explorador “civilizado” dizimou culturas inteiras em nome da sua “superioridade”, impondo seus valores e, tornando-se ele o nativo, chamou de seu o novo mundo. Se com o desenvolvimento de ciências como a antropologia passou-se muito recentemente a compreender o valor dessas culturas não européias, o cientista moderno ainda se equivocou ao se aproximar de tribos e comunidades tradicionais, muitas vezes sem o olhar treinado de quem se entende como parte do que estuda e de como a sua presença ali pode contaminar esses dados. Com o preço de, ainda que com boas intenções, atropelar processos históricos diferentes do seu, o ocidental aceitou o nativo e quis cuidar de sua preservação (mesmo que a seu modo).

Paralelamente ao interesse por formas diferentes de se relacionar em sociedade ou com a natureza, o homem moderno europeu olhou para o passado para entender mais de si mesmo, e foi atrás de conhecer onde sua história havia começado. Esse passado foi se aproximando rapidamente, e ganharam interesse os acontecimentos do passado recente, daquilo que ele mesmo viu entrar para a história. Nesse processo, o europeu viu seu continente se transformar no destino de multidões de europeus de diversas nacionalidades e de não europeus, até que o mundo todo se tornou um grande destino turístico.

Analogamente ao antropólogo que esquece de si, o turista muitas vezes esquece de como a sua simples presença ali altera profundamente o funcionamento e a autenticidade do lugar, e a possibilidade desse tão sonhado encontro com o real. Se o navegador sem dúvida teve um efeito grande nas terras que conquistou, também esse novo viajante modifica o monumento, cidade ou país que ele visita. Ele projeta expectativas e necessidades infinitas a serem cumpridas, quer ser servido e paparicado, e quer levar para casa um pedaço de tudo aquilo que conheceu.[2]

Na pós-modernindade na qual vivemos hoje, que fragmenta o tempo o espaço e as relações humanas, é possível um outro tipo de contato? Ou ainda, um contato aberto, um viajante errante (e não um nômade) já existiu em algum momento? O que ele trouxe para casa? O peregrino que viaja para se conhecer, o flaneur, o situacionista, o explorador moderno de terras longínquas existe fora dos livros? Ele também transforma o mundo enquanto é transformado por ele?

Conceitos e Polaridades

Ao começar a pesquisa, percebi que usava certos termos ou conceitos sem muito cuidado, outros pressupondo um sentido específico que ficava pouco claro, e outros por acaso. Quando escolhi, por exemplo, o termo ‘vivência’ para descrever o que se passava na turnê, fui alertada a tomar cuidado com a palavra, ou pelo menos a entender melhor seus empregos e significados. Walter Benjamin a opõe à ‘experiência’, explico: experiência é a qualidade do conhecimento que é construído ao longo de um determinado tempo, por uma coletividade. Ela é maior do que a capacidade de elaboração que uma pessoa sozinha tem, ela sobrevive ao tempo e se enriquece com ele. ‘Vivência’, por outro lado, é a marca que um evento externo deixa em uma pessoa em um nível mais raso, é lembrança e não memória, é imediata e pouco profunda, e sobretudo algo que se vive em um nível individual ou sub-individual[3].

Para Benjamin, atualmente, a vivência vem tomando o espaço da experiência, dada a rapidez e fragmentação dos eventos à sua volta, onde nada consegue o atingir profundamente. A incapacidade do homem de lidar com tantos ‘choques’ que seriam causados por esses diversos embates é a razão desse distanciamento, que aparece na forma de uma atitude ‘blasé’. Esse sinal de uma mudança no homem também implica em uma mudança no valor que os eventos têm nos homens, onde, por causa do medo do choque, ele se amortece. Essa falta de choque gera uma ‘atrofia da experiência’, que para o autor não é uma coisa exatamente negativa, sendo apenas um resultado do nosso tempo. A grande perda, seria a da capacidade de elaboração poética e narrativa a partir da memória, para a qual é necessário e imprescindível que se chegue à experiência.

Na pós-modernidade, segundo Kaplan[4], a experiência de deslocamento aponta para uma transformação da imagem moderna de viagem. Paralelamente a uma idéia de mundialização da cultura, existe uma ênfase em tudo aquilo que é local ou regional, assim como na fragmentação de significados dessa multiplicidade, rompendo com uma linearidade totalizante dos discursos modernos.

Em termos gerais, o moderno está para a experiência e o conhecimento assim como o pós-moderno está para a vivência e a informação. O primeiro tem um discurso coeso, ainda que redutor, enquanto o segundo tem um discurso fragmentado, fugidio e abrangente, e muitas vezes incoerente e raso, quando ainda não é a própria ausência de discurso ou conceito. O homem pós-moderno está sozinho em seu mundo e suas decisões, mas ele pode ir onde quiser.

Exílios, exilados

Os motivos que levaram e levam famílias ou populações inteiras a saírem de casa, fugirem ou se mudarem são as mais diversas. Não vou me aprofundar muito neste tema, mas interessa a esse trabalho pensar sobre o que significa esse desterro, como o novo lugar vai transformar essas pessoas, e essas pessoas vão transformar esse lugar.

O deslocamento de um grande número de pessoas pode ter origem em mudanças e golpes políticos, em uma fuga por motivo religioso, de etnia ou ainda por necessidade econômica intra ou internacionalmente. O México recebeu inúmeros espanhóis fugidos do regime franquista, por exemplo, e o Brasil perdeu grandes mentes durante o regime militar repressor e intolerante. A África é um continente onde conflitos étnicos e corrupção levam tribos e povos inteiros a mudar de lugar em busca de segurança e abrigo.

Sair de casa sabendo que quando quiser ela está lá te esperando, tem um significado muito diferente de sair de casa definitivamente. O exilado freqüentemente perde, nessa viagem, a paisagem, a língua e todo o resto que para ele é sinônimo de casa, por mais assustadora que essa antiga casa possa ser. A referência é perdida e ele não tem outra opção a não ser aceitar o que o estiver aguardando nesse novo lugar. A identidade que ele leva consigo é apenas aquilo que ele consegue carregar.

A imigração forçada de cristãos libaneses ou judeus poloneses para fora de seu país de origem mudam a estrutura interna desses povos e trazem consigo tradições novas para onde vão, onde pode mais uma vez nascer algum conflito. E exílio de massas é necessário para a proteção dessas pessoas, mas nem por isso é uma solução livre de problemas. Famílias polonesas se viram espalhadas pela Europa, Austrália e Américas muitas vezes sem a possibilidade de um reencontro.

Na virada do século XIX para o XX, diversos escritores embarcaram deliberadamente em experiências de ‘exílio’ criativo. Esse exilado e aquele não têm nada em comum. Porém, o peso histórico que esses auto-exílios artísticos ganharam ajudou a romantizar o termo que , assim como muitos outros, terminou por esvaziar-se de sentido político e histórico. Diz Caren Kaplan: “Ao normatizar o exílio e estetizar o desterro, a mitologização crítica do “artista no exílio” se transforma de um comentário sobre produção cultural baseado em experiências de deslocamento com embasamento histórico em uma produção de um estilo que emula os efeitos do exílio.”[5]

Esse esvaziamento de sentido político das dinâmicas de deslocamento na contemporaneidade é o outro lado da moeda da recente exacerbação da relação turística com o mundo. À luz do texto The Tourist Syndrome de Zigmunt Baumann, podemos dizer que a falta de historicidade da nossa relação com as pessoas e lugares, fez de todos nós turistas. Esse turista é incapaz de se perceber como um agente histórico, tornando-se um espectador em um espetáculo, e o outro, seja o conterrâneo, o nativo ou o exilado se torna um personagem plano, uma peça que deve se adaptar àquilo que ele espera das coisas.

Bought experiences don’t count

“Tensões entre o local e o global, extinção de todo vestígio de natureza intacta, perda do sentido histórico, hegemonia da imagem na articulação do social, conquista total do tempo de ócio pelas relações de produção capitalista.”[6]

Hoje em dia, dois séculos depois do surgimento do mercado turístico como o conhecemos, a figura do turista é provavelmente a primeira que vem à cabeça quando pensamos em ‘viajante’, no sentido amplo do termo. Ele é de fato o viajante mais proeminente hoje em dia, ou pelo menos o mais visível de todos. A sua demanda age de forma determinante no lugar que visita, às vezes mais do que a do nativo e com certeza mais do que a do imigrante, do exilado ou viajante a negócios. A sua demanda é, hoje em dia, acima de tudo a de ser entretido e convidado ao consumo.

Ao desmembrar a viagem em percurso, chegada e desfrute (do destino) podemos facilmente identificar que para o turista, o percurso e a chegada, o avião e o aeroporto, não são nada além de uma parte inevitável do viajar, que, se possível, deveria ser encolhida ao máximo. Isso porque, para ele, o percurso é essencialmente uma “perda de tempo”, um tempo que não é possível atuar como turista, de consumir. O desfrute do percurso talvez sido enterrado com o último viajante moderno, com o último transatlântico turístico e a última road-trip beatnik ou gonzo. A paisagem é apreciada apenas quando apontada pelo guia turístico, no microfone.[7] As distâncias foram encurtadas e o choque foi sendo cada vez mais amortecido.

O consumo não é a única atividade do turista, mas está presente em grande parte do tempo enquanto ele, este nativo de algum lugar, atua como um estrangeiro com sede de “experiência”. Usando a referência deste termo em Benjamin, de acordo com as circunstâncias que caracterizam a viagem turística, essa experiência vai ser sempre vivência e lembrança e nunca experiência. O turista tem que chegar em algum lugar, mas uma vez lá, como no encontro com um monumento, momento ápice de uma viagem turística, às vezes falta saber o que fazer e como agir, por isso o souvenir, fotografar, filmar, comprar. Na falta de uma estória real vivida ou um contato profundo, são levados pedaços desse contato para casa.[8]

É claro que existem muitos tipos de turistas diferentes, com aspirações diferentes. Um pode viajar para conhecer a Europa da segunda guerra para entender sua história. Um outro pode viajar para conhecer grandes edifícios modernistas. Um outro para escalar montanhas e entrar em contato com a natureza. Interessa aqui o turista urbano, que sai da sua cidade para uma outra, e a relação que se desenvolve, ou não entre sujeito e espaço.

A cidade do turista é, a princípio, a mesma de um nativo. Mas essas duas são tão diferentes entre si quanto mais enraizado é o turismo nessa cidade, salvo raras exceções. A cidade da história e do desfrute turístico é diferente daquela do trabalho, estudo e cotidiano. Essa cisão entre cidade histórica e cidade do cotidiano foi abordada por Barthes em Semiologia e Urbanismo:

“… por este motivo se notou, com certa ingenuidade (talvez se deva sempre começar com ingenuidade), que Roma apresenta um conflito permanente entre as necessidades funcionais da vida moderna e o peso semântico da história sobre a cidade. E este conflito, entre significado e função, constitui o desespero dos urbanistas.”

Talvez seja possível dizer que um brasileiro em Roma, que não fala italiano e viaja com um pacote turístico não está, de fato, conhecendo Roma em 2011. Está conhecendo pedaços da Roma Imperial e Renascentista desenterrados, museus pitorescos e entrando em filas, muitas filas. O jovem romano de 2011 está muito longe dali? Eles se encontram, se conhecem, ocupam o mesmo espaço?

O turista quer conforto e diversão e experiência, mas quer também ter alguma comprovação da autenticidade do que está conhecendo, mas cenografia urbana em grandes pólos do turismo internacional é inevitável. Mais turistas igual a mais dinheiro, e esse pólo vai inchando até por fim gentrificar todo um centro histórico, um bairro ou os arredores de um monumento.

O simples interesse turístico por uma cidade transforma seus bares em ‘ba- res típicos’, suas vielas em ‘lugar histórico’ e seu morador, pelo menos aquele que encontra com o turista, em um personagem. Será o garçom parisiense mais caricato quando seu cliente for um brasileiro ou alemão?

O medo de ser desapontado do turista só não é maior do que seu medo de se entregar a um lugar estranho. Ele não relaxa, ele está sempre aflito.[9] Estar longe de casa pode ser um alívio, a distância dos afazeres cotidianos e de uma rotina maçante. Mas o turista não está exatamente NO lugar que ele conhece, ele programa, ele passa, ele corre, ele compra, ele se cansa, se exaure. Talvez tenhamos conseguido impossibilitar um relaxamento ou entrega. Esquecemo-nos do desfrute do percurso na vida diária e esquecemo-nos dele também quando viajamos.

“O turista deixa de flanar e derivar no espaço que à priori desconhece, para consumi-lo. Ele divide o tempo em pequenas parcelas: hora para dançar, para tirar fotografias, para comer, e reduz o que poderiam ser lógicas nascentes de descobertas de lugares, para fruir o que seriam experiências artificiais, porque em espaços ou dispositivos programados para suas atividades, ou ainda, porque em “não lugares”

O fiel que viaja para conhecer um lugar sagrado para entender mais de si e do mundo, sem outras expectativas, está hoje distante e esse encontro muitas vezes pode ser tomado como “turismo”. Já foi observada uma psicopatologia relacionada com a visita à cidade de Jerusalém em cristãos, judeus e muçulmanos. Estamos tão imersos na vida cotidiana e na lógica do consumo que não suportamos choque algum. Quando num confronto real com o peso histórico ou religioso de uma cidade ou lugar, quebramos. Um peregrino não vai ser visto tirando uma fotografia na frente da Piazza San Marco, ele não é o turista religioso.

A presença do insólito no ordinário, derivas e beatniks

“For many of us there is no possibility of staying at home in the conventional sense – that is, the world has changed to the point that those domestic, national, or marked places no longer exist”[10]

A falta de proximidade entre o homem e o espaço que ele ocupa na vida cotidia- na gerou, historicamente, diversas abordagens teóricas e experimentos práticos que pretenderam requalificar esse vínculo, trazer a cidade de volta para o homem e o homem de volta à cidade.

A metrópole já foi assunto de elogios e críticas, de Jane Jacobs a Rem Koolhaas, mas há um ponto em comum: o espaço urbano da pós-modernidade e seus traços mais fortes, a desarticulação ou fragmentação, são um desafio a ser suplantado por quem passeia ou viaja por ela.

Se um dia derivar foi possível na Paris da década de 60, provavelmente hoje a técnica parece demasiadamente ingênua. As estradas que percorremos hoje são maiores em número e comprimento, o tempo que gastamos no carro ou ônibus ou trem é parte tão presente no nosso cotidiano que talvez uma subversão não seja mais possível.

Outro problema central é que para ser subvertido, o território precisa ser legível. A nossa ocupação urbana pós-moderna criou espaços intersticiais infinitos que sequer podem ser percorridos a pé. Não lugares e junkspaces são mais familiares que praças e ruas de bairro. Escolhemos nos exilar em condomínios e shopping centres, e talvez essa seja a imagem de uma cidade hoje. Temos que escolher ultrapassar essas barreiras para conhecer a cidade, para fazer dela novamente um mundo passível de ser conhecido.

Os Situacionistas tentaram, através da psicogeografia, sua ciência, e da deriva, sua ferramenta de trabalho, transformar o percorrer da cidade do cotidiano em uma experiência lúdica, de aprendizado e surpresa. Seus textos, reunidos por Paola Berenstein no livro Apologia da Deriva[11], são carregados não só de utopias, mas de experimentos concretos e humor. É interessante frisar que eles chegaram nesse ponto, à relação do homem com a cidade, ao buscar aquilo que mudaria totalmente a vida do homem urbano, do ponto de vista político, social, econômico, artístico e sensorial.

A cidade os envolvia e ainda nos envolve, e para eles era aí que residia a chave da subversão criativa do status quo. Era óbvio que essa mudança viria a partir de uma mudança do paradigma da vida urbana. Como o cotidiano se mostra, para eles, ter muito mais controle do homem do que o inverso, para desfragmentar o contato com o mundo, transformar distância em passeio, trabalho em criação, fragmento em fluxo contínuo, era preciso olhar para avenidas e calçadas como convites para descobertas e encontros.

“Devemos elaborar uma intervenção ordenada sobre os fatores complexos dos dois grandes componentes da vida: o cenário material da vida; e os comportamentos que ele provoca e que o alteram”[12]

A obra literária de um viajante errante como Kerouac ou um pós-estruturalista paranóico como Hunter S. Thompson nos abre para possibilidades de como romper totalmente uma relação estereotipada com o espaço e a sociedade na qual vivemos. Talvez a inquietação gerada pela angústia de se sentir preso seja hoje menos evidente, pois podemos perceber que esse tipo de viajante errante talvez não possa ser encontrado em muitos lugares. Além de artistas errantes, vagabundos e peregrinos, da poesia ou vida real já não são personagens que fazem muito sentido hoje em dia, salvo talvez em utopias e distopias juvenis.

*Irina é integrante da banda Garotas Suecas e arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP. O texto apresentado é um fragmento da monografia de Trabalho Final de Graduação apresentado em 2011, orientado pelo professor José Tavares Correia de Lira. O trabalho é fruto de investigação a partir da percepção das paisagens com as quais a autora e a banda entraram em contato durante as turnês. Foram aproximadamente 200 concertos em mais de 7 países. Uma experiência que, parafraseando a autora, foi “responsável pela forma com a qual encaro a minha vida pessoal e profissional”.
Todas as imagens fazem parte do registro da autora durante suas viagens.

Todos os direitos reservados.


[1] ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro. 1995

[2] OCKMAN, Joan. FRAUSTO, Salomon. 2005. pg. 20

[3] BENJAMIN, Walter. “Experiência e Pobreza”. 2011. pg.114

[4] KAPLAN. pg. 12

[5] KAPLAN. pg. 40

[6] SANTA ANA, Mariano de. Um tour pelo turismo. 2007. In: vitruvius.com.br/ arquiteturismo

[7]  OCKMAN, Joan. FRAUSTO, Salomon. pg. 14

[8] DE LA TAILLE, Yves. Palestra. 2010

[9] DE LA TAILLE, Yves. Palestra. 2010

[10] KAPLAN. pg. 7

[11] DEBORD, Gui. In: JAQUES. 2003. pg 21

[12] IBIDEM.

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